sábado, 7 de agosto de 2010

Estudo da qualidade de vida em pessoas com lesão medular traumática - Parte 2

Estudo da qualidade de vida em pessoas com lesão medular traumática - Parte 2

Estudo da qualidade de vida em pessoas com lesão medular traumática - Parte 2

Postado por: Vera (Deficiente Ciente) | Categoria(s): | Postado: Segunda-feira, Junho 28, 2010

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Dando continuidade a análise do artigo “Estudo da qualidade
de vida em pessoas com lesão medular traumática" dos
pesquisadores Janaina Vall(1), Violante Augusta Batista
Braga(2) e Paulo César de Almeida(3). Veja, hoje, qual foi
o método aplicado para esta pesquisa.

MÉTODO
Trata-se de uma pesquisa transversal envolvendo pacientes
paraplégicos, com lesão medular completa (AIS "A" segundo
a ASIA)8, de ambos os sexos, com idade mínima de 18 anos, que
já cumpriram programa de reabilitação em uma instituição
especializada e residam em Fortaleza. Os critérios de exclusão foram: tetraplégicos, não
reabilitados, lesões incompletas e não-traumáticas. Segundo este perfil, obteve-se uma
amostra de 32 indivíduos caracterizados na Tabela 1.


O instrumento utilizado para a coleta de dados foi o questionário SF-36. Ele foi criado com trinta
e seis questões que abordam, de um modo genérico, como o paciente julga sua saúde. O SF-36
foi traduzido e validado no Brasil, em tese de doutorado, por Ciconelli, em 1976.

O questionário SF-36 foi aplicado de forma oral, na modalidade de entrevista, ou seja, as
questões foram lidas em voz alta para os pacientes. Esta técnica foi preconizada ao traduzir
o SF-36 para o português, devido ao baixo nível sócio-econômico e cultural dos pacientes
brasileiros6. A aplicação do instrumento foi feita pela mesma pessoa para todos os pacientes,
ou seja, pela própria pesquisadora, em todos os momentos.

O tratamento dos dados de qualidade de vida seguiu as orientações contidas no The SF-36® -
Health Survey Manual9. Inicialmente foi estabelecida a correspondência de cada item ou questão
à sua respectiva escala. Os dados de qualidade de vida foram então computados,
considerando os valores recodificados e os escores dos itens de cada escala foram
somados, os quais correspondem às respostas dos entrevistados. Após, foi necessária
a transformação de cada escore numa escala de "0 a 100", seguidas as orientações para
somatória dos pontos e aplicado o cálculo do Raw Scale9. Esta transformação compreendeu
a conversão do valor mínimo e valor máximo possível para cada item (padronizados segundo
o manual para cálculo das escalas transformadas), em cada escala e para cada paciente.
Escores entre estes valores representaram a porcentagem possível de ser alcançada.
Vale ressaltar que o resultado final equivale a porcentagem de qualidade de vida para
cada um dos oito domínios envolvidos. Conforme aumenta a porcentagem, há melhor
qualidade de vida e vice-versa.

Os resultados são expressos separadamente em domínios, visto que um valor único de
qualidade de vida proporcionaria erros interpretativos, pois um domínio sobreporia o outro,
aspectos importantes dentro do contexto amplo de avaliação da qualidade de vida. Cabe destacar
também que, os dados de qualidade de vida deste estudo, referem-se à percepção do paciente,
como ele interpreta sua condição em termos de qualidade de vida e, sabe-se que, a severidade
dos sintomas e intercorrências clínicas podem alterar a qualidade de vida do portador de uma
doença crônica9.

Foram respeitados os aspectos éticos concernentes a Resolução de n. 196 de 10 de outubro de
1996, que delimita diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos10.

(1)Enfermeira, Mestre em Enfermagem, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza CE, Brasil (UFC)
(2)Enfermeira, Doutora em Enfermagem, UFC
(3)Bioestatístico, Doutor em Saúde Pública, Universidade Estadual do Ceará, Fortaleza CE, Brasil (UECE)

Fonte: Arquivos de Neuro-Psiquiatria. vol.64 no.2b São Paulo June 2006.

Referências
6. Ciconelli RM. Tradução para a língua portuguesa e validação do questionário genérico de avaliação de qualidade
de vida SF-36 (Brasil SF-36). Rev Bras Reumatol 1999;39:144-150.
8. American Spinal Injury Association International (ASIA); Medical Society of Paraplegia. International standards for
neurological classification of spinal cord injury, 2002.
9. Ware JE Júnior. SF-36® health survey manual. Boston, Massachusets, 1993.
10. Ministério da Saúde (BR). Conselho Nacional de Saúde. Resolução n. 196 de 10 de outubro de 1996. Diretrizes
e normas regulamentadoras de pesquisa em seres humanos. Mundo Saúde 1996;21:52-61.

Veja também nesse blog:
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